quinta-feira, 13 de agosto de 2015
Apenas como o dia é longo
Logo, ela não será mais do que um pensamento passageiro,
uma pontada, um tímpanos de vento nas badaladas, colheres dobradas
pendia do beiral em uma primeira noite em uma casa nova
em uma rua onde nenhum cão canta, não há visitas gato
um gato vizinho no meio da rua, enrolamento
e esfregando a pele contra pele, jogando faíscas.
Seus átomos estão lá fora, que circunda a terra, menos
sua felicidade, menos sua dor, só o corpo do
átomos de água, seu cabelo e ossos e dentes átomos,
seus átomos carnudas, seus átomos embriagados, suas saltines
e queijo e chá, mas não o seu concerto para piano
átomos, os átomos de riso e crueldade, seus átomos
de mentiras e lírios ao longo da calçada e seus chinelos,
Senhor seus chinelos, onde estão eles agora?
- Dorianne Laux de 1952
A Arte de Perder
A arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério. Perca um pouquinho a cada dia.
Aceite, austero, A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente Da viagem não feita.
Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe.
Ah! E nem quero Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas.
E um império Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles.
Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada.
Pois é evidente que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério
- Elizabeth Bishop
FICÇÃO LETAL
Entre 4 e 100 horas da tarde
A ponta do lápis no meio-fio
Grafite riscando nas ruas
Sem quase figuras nos trilhos
O jornal trás todos os tipos
Na praça ao lado atiçando o coro
Enfim um “hit” total
A um metro do ponto do brilho.
- Alexsandar Hamburger
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