sábado, 4 de fevereiro de 2017

Eu não vou falar de amor.

Essa publicação faz parte de um trabalho avaliativo da disciplina de Cibercultura, trabalhando com Pierre Levy e "As Tecnologias da Inteligência - O futuro do pensamento da era da informática". 

   Pierre fala sobre os três tempos do espirito as técnicas contemporâneas de comunicação e processamento da informação por computador, questionando  a relação homem e maquina valorizando assim, a ferramenta intelectual. Assim, começamos falando sobre o primeiro tempo: a Oralidade. A oralidade é palavra e memória, o que se é relembrado e contado fazendo do passado o presente e do presente a continuidade, o eterno retorno. Levy diz que: "A oralidade é também um devir, um devir sem marcas nem vestígios."(p.51), a memória e a palavra estão presentes na realidade do mundo, é o fluxo permanente, que atua como regimento geral do universo, cria e transforma todas as realidade, a narrativa, o vir a ser, caminho para o progresso. O desenho representa a memória. 

   A escrita e a história, o segundo tempo do espirito o passo para o futuro, o progresso em si. Segundo Pierre " O eterno retorno da oralidade foi substituído pelas longas perspectivas da historia". (p.53) , o que transforma o novo jeito de ver o mundo, possibilita saber o tempo de inicio e fim, compreendendo a evolução, o domínio da comunicação e consolidando a palavra falada como história, em registros. A carta.
   E por fim o Tempo Real, o aqui e agora, as coisas efêmeras e instáveis, o tempo da era digital. o terceiro tempo do espirito representa o presente a interface do mundo contemporâneo, ou seja, a concepção técnica do seu ambiente de trabalho, como é e pode ser visualizada.   A evolução da tecnologia é o ponto de partida para as tecnologias intelectuais.O mundo das interfaces, as redes.

   Minha memória registrada:  Sabe quando você vive muitas coisas e conhece muitaaas pessoas?  Ai você conhece, e passa boa parte do seu dia e gasta muito tempo da sua vida com essas mesmas pessoas? Pois bem, quando entrei na universidade foi assim. Muitos dias se passaram e conquistei algumas amizades, assim como uma boa relação com os colegas. Mas, nem tudo são flores.  Esse desenho LINDOO ai em cima é uma lembrança que tenho da primeira briga no corredor, de cores mortas, da UFOB. O interessante desse dia foi o por quê que tudo aconteceu, tudo interpretações e maus entendidos das aulas, dos grupinhos que sempre acaba rolando... saca?  algo que parece com o lance do hipertexto que o doidão futurista do Pierre falou, de transformar o contexto compartilhado pelos parceiros, o jogo da comunicação de transformar os sentidos e ficar ligado na interpretação, nas palavras, frases, letras, sinais e tal, criando toda a história e fazendo o contexto.        Escrevi uma carta falando sobre esse dia, saca só(Nos corredores ). E é isso a cada instante, um novo comentário, uma nova interpretação, um novo desenvolvimento ou uma nova confusão pra ficar na história...
-Sobre o oficio, P.I


Sobre o oficio, P.I

sábado, 26 de setembro de 2015

Três Lados

E quanto a mim, te quero, sim 
Vem dizer que você não sabe 
E quanto a mim, não é o fim 
Nem há razão pra que um dia acabe ...
   - Três Lados

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

EU NÃO SEI SEU NOME INTEIRO


Eu não sei seu nome inteiro
Nem de onde você veio
Não conheço que cabelo
Você tem antes do espelho
E o que pensa sua boca
Por trás do batom vermelho
Qual a placa do seu carro
Os seus sonhos de menina
A marca do seu cigarro
Seus silêncios, sua sina
Pra que porto você ruma
Suas âncoras, seu medo
Se dormiu com meu futuro
Ou querendo partir cedo
Eu não sei qual o seu signo
Se prefere outros assuntos
De que filmes você gosta
Quanto tempo temos juntos.
             - João Bosco

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Apenas como o dia é longo





Logo, ela não será mais do que um pensamento passageiro,
uma pontada, um tímpanos de vento nas badaladas, colheres dobradas
pendia do beiral em uma primeira noite em uma casa nova
em uma rua onde nenhum cão canta, não há visitas gato
um gato vizinho no meio da rua, enrolamento
e esfregando a pele contra pele, jogando faíscas.

Seus átomos estão lá fora, que circunda a terra, menos
sua felicidade, menos sua dor, só o corpo do
átomos de água, seu cabelo e ossos e dentes átomos,
seus átomos carnudas, seus átomos embriagados, suas saltines
e queijo e chá, mas não o seu concerto para piano
átomos, os átomos de riso e crueldade, seus átomos
de mentiras e lírios ao longo da calçada e seus chinelos,
Senhor seus chinelos, onde estão eles agora?
                                - Dorianne Laux de 1952

A Arte de Perder





arte de perder não é nenhum mistério;
Tantas coisas contêm em si o acidente
De perdê-las, que perder não é nada sério. Perca um pouquinho a cada dia.
Aceite, austero, A chave perdida, a hora gasta bestamente.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Depois perca mais rápido, com mais critério:
Lugares, nomes, a escala subseqüente Da viagem não feita.
Nada disso é sério.
Perdi o relógio de mamãe.
Ah! E nem quero Lembrar a perda de três casas excelentes.
A arte de perder não é nenhum mistério.
Perdi duas cidades lindas.
E um império Que era meu, dois rios, e mais um continente.
Tenho saudade deles.
Mas não é nada sério.
– Mesmo perder você (a voz, o riso etéreo que eu amo) não muda nada.
Pois é evidente que a arte de perder não chega a ser mistério por muito que pareça (Escreve!) muito sério

                                                                                            - Elizabeth Bishop

FICÇÃO LETAL

Entre 4 e 100 horas da tarde
A ponta do lápis no meio-fio
Grafite riscando nas ruas
Sem quase figuras nos trilhos
O jornal trás todos os tipos
Na praça ao lado atiçando o coro
Enfim um “hit” total
A um metro do ponto do brilho.
            - Alexsandar Hamburger

sábado, 20 de junho de 2015

Então queres ser um escritor?

(Tradução: Manuel A. Domingos)
se não sai de ti a explodir
apesar de tudo,
não o faças.
a menos que saia sem perguntar do teu
coração, da tua cabeça, da tua boca
das tuas entranhas,
não o faças.
se tens que estar horas sentado
a olhar para um ecrã de computador
ou curvado sobre a tua
máquina de escrever
procurando as palavras,
não o faças.
se o fazes por dinheiro ou
fama,
não o faças.
se o fazes para teres
mulheres na tua cama,
não o faças.
se tens que te sentar e
reescrever uma e outra vez,
não o faças.
se dá trabalho só pensar em fazê-lo,
não o faças.
se tentas escrever como outros escreveram,
não o faças.
se tens que esperar para que saia de ti
a gritar,
então espera pacientemente.
se nunca sair de ti a gritar,
faz outra coisa.
se tens que o ler primeiro à tua mulher
ou namorada ou namorado
ou pais ou a quem quer que seja,
não estás preparado.
não sejas como muitos escritores,
não sejas como milhares de
pessoas que se consideram escritores,
não sejas chato nem aborrecido e
pedante, não te consumas com auto-
— devoção.
as bibliotecas de todo o mundo têm
bocejado até
adormecer
com os da tua espécie.
não sejas mais um.
não o faças.
a menos que saia da
tua alma como um míssil,
a menos que o estar parado
te leve à loucura ou
ao suicídio ou homicídio,
não o faças.
a menos que o sol dentro de ti
te queime as tripas,
não o faças.
quando chegar mesmo a altura,
e se foste escolhido,
vai acontecer
por si só e continuará a acontecer
até que tu morras ou morra em ti.
não há outra alternativa.
e nunca houve.
            - Charles Bukowski